quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O TAO DO RAP

Quando foi anunciado o fim da parceria entre Black Alien & Speed a galera estranhou. Afinal, depois de anos ralando no restrito circuito do rap brasileiro (e mesmo sem lançar um único disco) a dupla finalmente havia emplacado o hit “Quem Que Cagüetou?”(ou “Follow Me”, como ficou conhecida na Europa, onde a música realmente estourou). Naquele momento estavam no auge. Tanto criativamente quanto em relação à popularidade (com a internet ajudando bastante na divulgação do som). A sinergia dos MC’s parecia coisa doutro mundo, tipo Yin e Yang. Uma prova disso está em Expresso (2001), primeiro vôo solo de Speed, lançado algum tempo depois da separação. Mesmo sem divulgação na grande mídia, o álbum causou impacto em alguns desbravadores. A última faixa (a profética “O Mundo Vai Acabar”), vinha com participação do próprio ET Preto, e deixava na boca um gostinho de quero mais. O tempo passou e Speed desapareceu do mapa. No ano do macaco, Black Alien concebeu o aguardado Babylon By Gus vol 1 (2004). A espera foi recompensada. Reconhecimento tardio para uma das figuras mais representativas do cenário. A terra circulou o sol outras vezes quando, no ano passado, Speed ressurge no disco do Maquinado, na pesada “Tá Tranqüilo”. Mas não era fogo de palha. Agora, o próprio disponibiliza no site Palco MP3 suas novas músicas. Destaque para os clássicos instantâneos “Raios e Trovões”, “Posso Voar” e “Vem pra cá”. A levada ragga-killa-rude-punk permanece intacta... E dizem por aqui que Black Alien raspou a cabeça e até dezembro lança o volume 2. Tomara!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

E se Orwell tivesse um blog?

Eu achei essa idéia muito boa. O diário do escritor George Orwell (1984 e Animal Farm), está sendo publicado em blog exatamente 70 anos depois. O objetivo é atualiza-lo nas mesmas datas que foram originalmente anotados. Começou no último dia 9 de agosto (de 1938), e deve estender-se por pelo menos três anos. No “momento” o autor encontra-se no Marrocos, recuperando-se de um problema de saúde. Mas você pode aguardar grandes emoções (incluindo aí relatos de sua luta durante a Guerra Civil Espanhola). Gostou? Passa lá.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

*8 things to do...(meme)

Depois da convocação geral feita pelo homem mais procurado da face da terra (Capitão Caverna), eis a minha listinha de coisas pra se fazer antes de encarnar. É rápido e indolor.

1-Escrever um livro (planos futuros, à distância da meia idade, quem sabe sobre geometria fractal).
2-Gravar um disco (isso eu já fiz, tô no lucro. Quem sabe um solo? Agora só com mantras).
3-Pintar um quadro (daqueles quadriculados, tipicamente... concretista?).
4-Produzir uma história em quadrinhos (bem difícil esse, mas eu já fiz uma participação com uns irmãos aí).
5-Dirigir um filme (mais fácil eu atuar no papel de vilão. Enquadro, só aqui no blog).
6-Criar um blog (com um lay-out legal, diariamente atualizado e cheio de links interessantes... nada parecido com esse).
7-Plantar uma árvore (tipo uma mangueira, numa casa na praia, e atingir a iluminação embaixo dela).
8-Fazer um filho (se depender do pai, vai ser um capetinha).

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Um conto para Gotham

Bruce saiu cedo para trabalhar na manhã gelada daquela segunda-feira, típica de Gotham. Memórias da noite anterior ainda ressoavam dentro da máscara suja e quente. Quem é o homem por trás da máscara? Nem ele sabe. Ninguém sabe. Ah, e antes que ele se esqueça: Foda –se o aguardado Leão da Maré e o baixinho que eu não consigo lembrar o nome. Não importa. Nada é verdadeiro. E nem tudo é permitido. Maldito capanga! Assim, ele só conseguia pensar no tom vermelho plástico do céu. Encontro maligno. As brincadeiras e ameaças de morte. O cheiro de fogo e trapaça. O olhar gástrico do vilão causando atrito no ar pressurizado. Esporádico sorriso que por pouco não riscou o vidro da janela do retrato 3x4. Pra maioria das pessoas é difícil sair da cama de manhã? Outras conseguem abrir os olhos e no outro dia nem lembram de ligar a televisão. Visão de raio-X é coisa dos quadrinhos. A vida real é diferente. Uma vez acordada, a massa esculpida em pedra e sabão sobrevive mais um dia sem eclipse. Cada um no seu quadrado sintonizando o crime da hora. Ficção barata poderia ser de graça. Pesquei um porco-espinho com asas...

terça-feira, 29 de julho de 2008

RATATOUILLE

Mukeka Di Rato, a melhor e mais tosca banda do ensurdecedor cenário HC sujo e podre do nosso Brasil varonil, disponibilizou dia desses quase toda sua discografia no site Trama Virtual. Ficou de fora só o último disco, Carne, lançado ano passado pela Deck. De resto, tem todos. Os quatro álbuns da carreira: Pasqualim na Terra do Xupa Kabra, Gaiola, Acabar Com Você e Máquina de Fazer. Além dos splits Vivisick e Burzum Marley(EP). Vale destacar músicas clássicas, como Mék Câncer Feliz, Mickey, Viva a Televisão e Moldar. À disposição dos admiradores do som cuspido pelos alto-falantes, esquartejado pelas guitarras e pisoteado pela bateria.
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Criada nas longínquas areias das praias de Vila Velha, ao lado da capital Vitória, a banda me foi apresentada por um pequeno/grande/amigo/roedor conterrâneo dos caros. Valeu Gui! O gosto pela Mukeka é sua culpa.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Salto no vácuo com joelhada!


O oba-oba em torno do sambista(?) Curumin não vem de ontem. Baterista paulistano (de descendência nipônica), já havia tocado para artistas consagrados quando chamou a atenção de parte do grande público nos idos de 2004, com seu debut Achados e Perdidos. Desde então, uma sombra cult insiste em pairar sobre o músico. A expectativa sobre o segundo disco era grande quando Curumin resolveu disponibilizar as novas faixas em sua página no myspace. Tiro certeiro. Durante o show de lançamento de Japan Pop Show (no começo do mês passado na choperia do Sesc Pompéia) o público que lotou a casa cantava empolgada acompanhando grande parte das músicas. Tudo em sincronia com um álbum que nem deve chegar às lojas brasileiras (somente nos Estados Unidos e Japão), mas que pode ser adquirido nos shows pelo valor simbólico de três cervejas.

Japan Pop Show é coeso, seguro e sem medo de tomar partido. Consegue transportar parte do inconsciente de referências do músico para uma plataforma abrangente e assimilável. Como diz uma de suas letras: “Compacto/Sossegado/Compacto/No meu canto, no meu lado”. É compacto e recheado de possíveis hits. Quem sabe, se tocasse na rádio? Ah, mas deixa pra lá. No ano do centenário da imigração essa é a maior homenagem que um brasileiro poderia ter feito à terra do sol nascente. Ops, eu falei isso?

sexta-feira, 11 de julho de 2008